sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fibras Alimentares

As fibras alimentares são substâncias vegetais de grande importância para o bom funcionamento do corpo. São polissacarídeos vegetais, como celulose, hemiceluloses, pectinas, gomas, mucilagens e a lignina (não polissacarídeo) que não são hidrolisados pelo trato gastrointestinal humano, portanto, não são fontes de energia.
Existem dois tipos de fibras: solúveis e insolúveis. As fibras solúveis são formadas pelas pectinas, gomas, mucilagens e algumas hemiceluloses. A fração solúvel das fibras traz benefícios à saúde, porque apresentam efeito metabólico no trato gastrintestinal, retardam o esvaziamento gástrico e o tempo do trânsito intestinal, diminuem a absorção de glicose e colesterol e ainda, protegem contra o câncer colorretal.
A celulose e algumas hemiceluloses compõem as fibras insolúveis. Essas fibras fazem parte da estrutura das células vegetais e são encontradas em todos os tipos de substância vegetal. Constitui uma parte muito pequena da dieta (1g/dia) e ocorre principalmente em frutos com casca comestível e semente. Não se dissolvem na água, aumentam o bolo fecal, aceleram o tempo de trânsito intestinal pela absorção de água. Melhorando a constipação intestinal, anulando o risco de aparecimento de hemorróidas e diverticulites (inflamação da parede intestinal).
A decomposição das fibras alimentares ocorre na maior parte no cólon, onde as fibras sofrem a fermentação das bactérias anaeróbicas. Dentre as funções das fibras no organismo humano destacam-se: estimulação a mastigação, e consequentemente, a secreção da saliva e suco gástrico; preenchimento do estômago proporcionando uma sensação de saciedade; regulação do tempo de trânsito intestinal, atrasando o esvaziamento gástrico, tornando mais lenta a digestão e absorção; devido a capacidade de absorver água, formam fezes volumosas e macias no cólon; servem como substrato para fermentação por colônias de bactérias intestinais; tornam mais lenta a velocidade na qual a glicose entra na corrente sanguínea, pois formam um gel (pectina e goma) no intestino; as fibras insolúveis se ligam aos sais biliares e reduzem a absorção das gorduras e colesterol, as fibras solúveis diminuem especificamente o colesterol LDL e; são substratos para a formação de ácidos graxos de cadeia curta.
As celuloses são encontradas em frutas com cascas, farinha de trigo, farelos, semente. As hemiceluloses estão presentes em grãos de cereais, farelo de trigo, soja e centeio. As pectinas em frutas cítricas, principalmente nas cascas, maçã, batata, limão, laranjas, legumes e vegetais. As gomas nos farelos de aveia, farinha de aveia, farelo de cevada. As mucilagens encontram-se nas sementes e algas (agar-agar). E a lignina está presente nos grãos integrais, ervilha, aspargo.
A recomendação de ingestão de fibras é de 20 a 30g diárias. O excesso pode interferir na absorção de zinco e cálcio, especialmente em crianças e idosos.
Quando a dieta for rica em fibras, o consumo de água deve ser aumentado. O excesso pode provocar obstrução intestinal, principalmente quando a ingestão for feita na forma concentrada e desidratada. A falta de fibras na alimentação provoca mau funcionamento do intestino, obesidade e problemas cardíacos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Enxaqueca e Alimentação 

        A enxaqueca ou migrânea é um tipo de cefaléia primária, onde os sintomas e características da dor definem a doença. Seus principais sintomas são fotofobia, fonofobia, vômito e náusea, a cefaléia geralmente é unilateral e latejante, podendo durar de 4 a 72 horas.
Portadores de enxaqueca podem ter sua vida social comprometida devido aos sintomas que os deixam incapacitados, para trabalhar, estudar e enfim, realizar suas atividades cotidianas, por isso, a identificação de fatores desencadeantes e o tratamento adequado são indispensáveis.
A Sociedade Brasileira de Cefaléia (2007) orienta alguns cuidados para o controle da enxaqueca, como: distribuir adequadamente a carga de trabalho; evitar estender o sono além do horário usual; evitar fadiga excessiva; não pular refeições, sempre se alimentando em horários regulares; reduzir a ingestão de café e chá; evitar exposição a luzes, ruídos e cheiros fortes; não exercitar-se em dias muitos quentes.
Existem fatores que podem desencadear a crise quando um indivíduo é predisposto, esses fatores podem ser alimentares ou não alimentares.
Dentre os fatores não alimentares destacam-se: sono prolongado ou insuficiente, exposição a ruídos, odores ou temperaturas elevadas, quedas dos níveis hormonais que ocorrem antes da menstruação, esforço físico, estresse e fortes emoções.
As causas alimentares podem estar relacionadas com a presença de substâncias como as aminas que podem funcionar como falsos neurotransmissores ou anfetaminas endógenas, ou ainda, substâncias que provocam vasoconstrição ou vasodilatação, como a cafeína, e os nitratos presentes em alimentos para conservação. O jejum prolongado também pode ser um desencadeante das crises de enxaqueca. Os alimentos que geralmente são mencionados como causadores de enxaqueca são os queijos, chocolates, bebidas alcoólicas, cafeína e embutidos.
Segundo a associação Britânica de Estudo da Cefaléia citado por Juzwiak (2007, p. 624), “um alimento pode ser considerado desencadeante quando: o início da enxaqueca ocorre nas 6h após a ingestão; o efeito é reproduzível; a retirada do alimento leva a melhora”.
A alimentação pode atuar no tratamento da enxaqueca, além de auxiliar no tratamento medicamentoso. Primeiro é importante o reconhecimento dos alimentos desencadeantes e estes devem ser excluídos da alimentação, no entanto, os nutrientes desses alimentos devem ser repostos através de alimentos substitutos, para evitar a deficiência dos nutrientes e doenças relacionadas.
Existem alguns nutrientes que podem auxiliar no tratamento da enxaqueca, e podem ser incluídos na alimentação. A riboflavina que é a vitamina B2, atua no metabolismo energético melhorando a sua eficiência, pois dados demonstram a sua relação nos níveis baixos de energia na célula com a fisiologia da enxaqueca. O magnésio que atua neutralizando, inibindo ou reduzindo reações envolvidas na patogênese da enxaqueca, é muito utilizado no tratamento de migrânea menstrual. O triptofano que segundo estudo duplo-cego demonstrou a diminuição da cefaléia. As isoflavonas que atuam modulando receptores seletivos naturais de estrógenos, pois na menstruação a enxaqueca ocorre devido à queda dos estrógenos. A piridoxina também é utilizada no tratamento de migrânea menstrual e ácidos graxos w-3, que durante pesquisas, diminuiu as crises de enxaqueca em pacientes suplementados com óleo de peixe que é rico no nutriente.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

 Alimentos e Saúde

Alguns alimentos se caracterizam por oferecer vários benefícios à saúde, além do valor nutritivo inerente à sua composição química, podendo desempenhar um papel potencialmente benéfico na redução do risco de doenças. Esses alimentos são chamados de alimentos funcionais.
Um alimento pode ser considerado funcional se for demonstrado que o mesmo pode afetar beneficamente uma ou mais funções no corpo, além de possuir os adequados efeitos nutricionais.
Uma grande variedade de produtos tem sido caracterizada como alimentos funcionais, incluindo componentes que podem afetar inúmeras funções corpóreas, relevantes tanto para o estado de bem-estar e saúde como para a redução do risco de doenças.
Abaixo segue alguns alimentos com substâncias funcionais e como utilizá-los:

Abóbora: Rica em betacaroteno, importante antioxidante e substância imunoreguladora. Diminui o risco de câncer e de doenças cardiovasculares.
Como Comer: O Óleo da semente pode ser colocado em saladas. A fruta pode ser cozida, preparada em forma de creme, purê, sopa ou refogado com outros legumes. A semente pode ser torrada para aperitivo ou salpicada na salada.

Abacate: Ajuda na perda de peso, a baixar taxas de colesterol e a fortalecer o sistema imunológico.
Como Comer: No Brasil, o costume é comer misturado ao açúcar, para fazer vitamina ou musse. Mas ele também fica saboroso misturado à salada ou simplesmente picado com uma pitada de sal.

Acelga: Ajuda na perda de peso, a folhagem verde é repleta de carotenóides, pigmentos que ajudam a previnir doenças degenerativas.
Como Comer: Cortada e refogada com azeite.

Alho: Antioxidante, ajuda na reposição de colágeno e a baixar taxas de colesterol.
Como Comer: Picar e deixar no azeite de oliva para ser colocado como tempero.

Arroz Integral: Boas fontes de fibras e de vitaminas do complexo B. Ajuda no funcionamento do intestino.
Como Comer: Cozido.

Beterraba: É melhor fonte de LPC-A, um precursor da formação do colágeno. Por isso ajuda na saúde da pele, a retardar rugas e flacidez.
Como Comer: Fresca, cruas e ralada em saladas. O aquecimento (cozimento) diminui seu poder antioxidante.

Chá Verde: Possui NFKbeta, substância anti-inflamatória que também ajuda no controle da diabete, artrite, obesidade e doenças de pele como lúpus.
Como Beber: Em forma de chá, quente ou frio.

Linhaça: Rica em ômega 3. Ajuda a manter a flora intestinal e no tratamento da depressão.
Como Comer: Pode ser colocada em saladas e enriquecer pratos como decorações. Também pode ser usada na forma de farinha (de preferência a dourada, que é livre de metais tóxicos) e ser colocada em cima de frutas ou misturada em sucos.

Lima da Pérsia: Ajuda a diminuir problemas de fígado.
Como Comer: Suco ou in natura.

Morango (orgânico): Antioxidante, ajuda na prevenção do mal de Alzheimer, celulite e varizes. As mesmas substâncias são encontradas na uva, na cereja e na ameixa.
Como Comer: Puro, em salada de frutas, sucos e vitaminas.

Oleaginosas (nozes e castanhas): Possuem o mineral-chave do antienvelhecimetno: Selênio.
Como Comer: Consumir no intervalo entre as refeições, misturadas à frutas secas, salada e no arroz. Porém, deve-se comer apenas de duas a três unidades porque estas são substâncias muito calóricas.

Pimenta (dedo-de-moça): Um anti-inflmatório poderoso.
Como Comer: Como tempero, picado em azeite para ser colocado em salada.

Repolho: Ótima fonte de vitaminas A e C. Bom para o sistema imunológico e para visão, pele e mucosa.
Como Comer: Como salada ou em sanduíches.

Romã: É rica em vitamina A e outras substâncias que ajudam a diminuir a pressão sanguínea. Ajuda na ação antioxidante da pele.
Como Comer: In natura ou suco.

Peixes (de águas frias): Tanto a sardinha quanto o salmão são fontes de ômega 3 que ajuda, entre outras coisas, a diminuir sintomas da depressão. Tem cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, zinco, cobre e vitamina B.
Como Comer: Sardinhas embaladas em azeite de oliva ou óleo de sardinha podem ser degustadas puras, na salada ou na torrada. O salmão pode ser ingerido cru, ser preparado no forno ou grelhado.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal!!!
 
Um Feliz Natal repleto de harmonia. 
Celebrar o Natal é... 
crer na força do amor é isto que transforma o homem e o mundo.
Que a mensagem de fé e esperança do Natal renove nossas forças para continuarmos lutando no Ano Novo que se anuncia.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CRESANS representa a regional de Foz do Iguaçu no CONSEA/PR

O CONSEA/PR é composto por 36 representantes, sendo dois terços de entidades da sociedade civil organizada e um terço ligados ao governo. Entre suas atribuições estão promover formação em segurança alimentar, articular ações nessa área, apresentar proposições de políticas públicas e exercer o controle social e monitoramento da execução das ações.
Durante a III Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná foram homologados os novos conselheiros, representantes da sociedade civil, para compor o CONSEA/PR. Os conselheiros foram eleitos a partir das conferências municipais e regionais de SAN.
No dia 12 de dezembro estará ocorrendo em Curitiba a tomada de posse dos novos conselheiros. A regional de Foz do Iguaçu estará representada pelo Instituto Harpia Harpyia, através do Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável - CRESANS Tembi'u Porã, como titular e a Associação dos Nutricionistas do Oeste do Paraná como suplente.
O CRESANS também faz parte dos conselhos municipais e regionais de SAN de Foz do Iguaçu.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dia Mundial do Diabetes

O dia 14 de novembro é o dia Mundial do Diabetes. Todo ano se trabalha um tema, neste ano os temas escolhidos por voto popular foram: “O diabetes mata uma pessoa a cada 8 segundos” e “O diabetes não discrimina: pode ocorrer em jovens ou idosos; ricos ou pobres; homens ou mulheres”. Várias atividades estão ocorrendo em todo o Brasil.
O Dia Mundial do Diabetes é divulgado em todo o mundo e envolve mais de 200 associações da IDF (International Diabetes Federation) em mais de 160 países e territórios. Além disso, todos os estados membros das Nações Unidas, bem como outras associações e organizações, empresas, profissionais de saúde e pessoas vivendo dom diabetes e suas famílias.
O Diabetes é uma doença metabólica crônica caracterizada por um aumento anormal da glicose no sangue. A glicose é a principal fonte de energia do organismo porém, quando em excesso, pode trazer várias complicações à saúde. De acordo com a causa pode ser classificada em diabetes Tipo I, diabetes Tipo II e diabetes gestacional.
O diabetes Tipo I é uma doença auto-imune idiopática, onde as células beta produtoras de insulina são destruídas. O Diabetes Tipo I surge quando o organismo deixa de produzir insulina (ou produz apenas uma quantidade muito pequena). Quando isso acontece, é preciso tomar insulina para viver e se manter saudável. As pessoas precisam de injeções diárias de insulina para regularizar o metabolismo do açúcar. No geral, é mais frequente em pessoas com menos de 35 anos, mas ela pode surgir em qualquer idade. Os sintomas são: Vontade de urinar diversas vezes; Fome frequente; Sede constante; Perda de peso; Fraqueza; Fadiga; Nervosismo; Mudanças de humor; Náusea; Vômito .
O diabetes Tipo II possui um fator hereditário maior do que no tipo I. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A incidência é maior após os 40 anos. Neste tipo de diabetes existe uma contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas. Por muitas razões, suas células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sanguínea. Esta anomalia é chamada de "resistência Insulínica". Os principais sintomas são: Infecções frequentes; Alteração visual (visão embaçada); Dificuldade na cicatrização de feridas; Formigamento nos pés; Furunculose.
O diabetes Tipo II é cerca de 8 a 10 vezes mais comum que o Tipo I e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes vai necessitar de medicamentos orais e, por fim, a combinação destes com a insulina.
O diabetes gestacional é a alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece ou é detectada pela primeira vez na gravidez. Pode persistir ou desaparecer depois do parto.
Os fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes são: Idade acima de 45 anos; Obesidade; História familiar de diabetes em parentes de 1° grau; Diabetes gestacional ou macrossomia prévia; Hipertensão arterial sistêmica; Colesteroal HDL abaixo de 35mg/dl e/ou triglicerídeos acima de 250mg/dl; Alterações prévias da regulação da glicose; Indivíduos membros de populações de risco (negros, hispânicos, escandinavos e indígenas).
As complicações causadas pelo diabetes se dão basicamente pelo excesso de glicose no sangue. A principais complicações agudas são: Cetoacidose diabética, Cegueira, Hiperglicemia, Coma Diabético, Amputação. Entre as complicações crônicas destacam-se: Aterosclerose, Retinopatia diabética, Hipertensão arterial sistêmica, Tromboses e coágulos na corrente sanguínea, Síndrome do pé diabético, Problemas renais (como insuficiência renal progressiva), Problemas neurológicos. A frequência de problemas cardíacos como AVC e Ataque cardíaco são entre 2 a 4 vezes maior nas pessoas com diabetes.
Respeite os limites de sua glicose! mantenha dentro da faixa de normalidade que é 99 mg/dl. As complicações do diabetes são menos comuns e severas nas pessoas que possuem os níveis glicêmicos controlados. Para isso, mantenha uma dieta adequada; tenha uma vida ativa, mais do que simplesmente exercícios e também utilize os medicamentos (hipoglicemiantes orais e insulina) quando indicados por um profissional e monitore os níveis de glicose e hemoglobina glicada regularmente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alimento Seguro - Como Mantê-lo no Verão
 
 
De acordo com a lei 11.346/06 a segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.
Hoje vamos abordar um eixo da segurança alimentar e nutricional, a contaminação alimentar.
As doenças transmitidas por alimentos são mais comuns do que muitos imaginam, segundo o ministério da saúde este tipo de doença é responsável por cerca de 13 mil doentes todo ano.
Os sintomas não ocorrem logo após o consumo do alimento contaminado, por isso muitos não associam a doença com o alimento, e quando associam geralmente são com os alimentos ingeridos fora de casa. Mas muitas vezes o problema está na própria residência. Dados da secretaria de vigilância em saúde apontam que 45% das contaminações ocorrem nas residências, 19,7% em restaurantes e 10,7% em instituições de ensino.
Para evitar a contaminação dos alimentos por microorganismo patogênicos é necessário que o consumidor tome cuidados que vão desde a compra até o preparo dos alimentos. Abaixo estão listados as “10 Regras de Ouro” da Organização Mundial de Saúde para a preparação higiênica dos alimentos.
- Escolher alimentos tratados por métodos higiênicos – o consumidor deve conhecer a procedência comercial do alimento que consome. É fundamental verificar se o supermercado ou estabelecimento apresenta condições adequadas de conservação dos alimentos. Muitos alimentos são melhores em estado natural, mas outros só são seguros quando tratados, por exemplo, o leite pasteurizado em vez do leite cru.
- Cozinhar bem os alimentos – Muitos alimentos crus, estão geralmente muito contaminado por agentes patogênicos. Um cozimento a uma temperatura acima de 70ºC consegue matar a maioria dos microorganismos. O total cozimento acontece quando à mudança de cor e textura na parte interna do alimento;
- Consumir os alimentos cozidos quando ainda quentes - Em condições ideais uma única bactéria pode se multiplicar em 130 mil em apenas seis horas. Temperaturas abaixo de 5ºC e acima de 60ºC retarda a multiplicação, por esse motivo, os alimentos cozidos não devem ficar por mais de duas horas à temperatura ambiente. Para não se correr perigos desnecessário, os alimentos devem ser consumidos imediatamente após o cozimento;
- Guardar adequadamente os alimentos cozidos quando destinados ao consumo posterior – Os alimentos devem ser guardados em condições de calor (acima de 60ºC) ou de frio (abaixo de 10ºC). Esta regra é fundamental para guardar comida por mais de 4 ou 5 horas. Quando se guarda alimentos quentes em excesso na geladeira, os alimentos cozidos não podem ser resfriados internamente tão rápido quanto o desejado. Se o centro do alimento permanece quente por um período longo, os microorganismo proliferam e alcançam rapidamente uma concentração suficiente para causar patologias.
- Reaquecer bem, antes de consumir, os alimentos cozidos que tenham sido refrigerados ou congelados – Esta regra é a melhor medida de proteção contra os microorganismos que podem ter proliferado durante o armazenamento. No reaquecimento todas as partes do alimento devem atingir a temperatura de 70ºC.
- Evitar o contato entre os alimentos crus e os cozidos – A contaminação de alimentos cozidos por alimentos crus chama-se contaminação cruzada. Esta contaminação pode ser direta, quando o alimento cru entra em contato com alimentos cozidos. E também pode ser através da contaminação do alimento cozido no ato de utilizar a mesma tábua e os mesmos talheres que foi utilizada para preparar o alimento cru.
- Lavar as mãos com frequência – As mãos devem ser lavadas antes de se iniciar o preparo dos alimentos e após qualquer interrupção. Se estiver preparando alimentos crus como pescados, carne ou frango, se deve lavar as mãos antes de manipular outros alimentos. Em caso de infecção das mãos, deve-se usar luvas.
- Manter rigorosamente limpas todas as superfícies da cozinha – Convém manter-se limpas todas as superfícies utilizadas para preparar os alimentos. Qualquer migalha ou mancha pode ser um reservatório de microorganismos.
- Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais – Os animais carregam patógenos que originam doenças alimentares. A melhor medida de proteção é guardar os alimentos em recipientes bem fechados.
- Utilizar água potável – A água para a preparação dos alimentos é tão importante quando a de beber. Se a fonte de água não for confiável, deve-se ferver antes de utilizá-la nos alimentos ou de transformá-la em gelo. É fundamental limpar as caixas d'água de 6 em 6 meses.

Estas e outras informações sobre Alimentos Seguros são encontradas na RDC 216/2004, que regulamenta os procedimentos para a Manipulação de Alimentos em estabelecimentos comerciais, que foi elaborado pela ANVISA.


Referências Bibliográficas:
Secretaria de Vigilância em Saúde. Análise Epidemiológica dos Surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos no Brasil. 2008. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/surtos_dta_15.pdf>. Acesso em 13 mai. 2011.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

 PREÇO DOS ALIMENTOS

DA CRISE À ESTABILIDADE
 
 
Neste ano, a Organização das Nações Unidas para o Alimento e a Agricultura, ao promover o Dia Mundial da Alimentação, adverte que o aumento do preço dos alimentos pode agravar o quadro de exclusão.
Cada vez mais nos distanciamos da meta definida pela Cúpula Mundial da Alimentação (Roma-1996) de reduzir pela metade, até 2015, o número de seres humanos dizimados ou desfigurados pela fome.
Na época, oitocentos milhões; hoje, em todo o mundo, o número de famintos já ultrapassa a sigla de um bilhão! O próprio USA conta com mais de 40 milhões de “cidadãos” abaixo da linha da pobreza. Segundo o Banco Mundial, no último ano, 70 milhões de pessoas foram empurradas abaixo da linha da pobreza. 
O agronegócio que se caracteriza pela política de monetarização de alimentos, procura se esconder atrás das mudanças climáticas para justificar o alto custo dos alimentos, fingindo ignorar que a sua prática de monetarização dos alimentos prioriza a monocultura e degrada o meio ambiente através da aplicação criminosa de insumos condenados. Admiro e louvo a coragem do cineasta Silvio Tendler pela contundente denúncia em seu filme “O Veneno está na mesa”. Com subsídios e incentivos dos governos, a própria agricultura familiar é submetida ao uso de insumos tóxicos que afetam a saúde dos trabalhadores e colocam veneno na mesa das famílias. 
O atual modelo econômico e seu projeto de desenvolvimento jamais nos conduzirão à segurança alimentar e nutricional sustentável; como ficou demonstrado pela aventura da revolução verde. Esta foi a intuição do Movimento pela Ética na Política e o clamor da 1ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar, em 1994.
Procurando-se desqualificar a qualidade e a capacidade de produção de alimentos saudáveis e adequados para consumo da população, apregoam-se o alto custo e o ritmo da produção dos mesmos.
A resposta se encontra na ousadia em optar por novo modelo de desenvolvimento e nova economia como exigências de saúde pública e de futuro para a própria humanidade. Implantar um sistema de segurança alimentar e nutricional sem modificar o modelo de desenvolvimento, significaria alimentar ilusões e dar adeus à esperança.
A alimentação e a nutrição tornam-se cada vez mais uma questão de segurança nacional e prioridade da agenda política. Alimento é vida! Sem oxigênio e água, sem ternura e leite materno, sem pão e vinho, sem outros frutos da terra e do trabalho humano, a vida desfalece e os dias cessam.
O Papa Bento XVI, na encíclica “Caridade na Verdade” (2009), ajuda-nos a entender que não se trata de caridade e de assistência social, mas de um direito humano básico que exige mudanças não só de hábitos alimentares, mas do próprio modelo de desenvolvimento.  
Para a Igreja, a exclusão social que leva o ser humano a definhar e morrer por falta de acesso ao alimento é problema ético. Ainda, segundo Bento XVI, a resposta coerente com a realidade iluminada pela Fé nos leva a contribuir para salvar a vida do Planeta e a construção da paz.
Alimento é caminho da paz. Neste milênio os conflitos se anunciam pelo controle dos recursos naturais. Com um bilhão de famintos no mundo como sonhar com a paz?
Assim, pois, torna-se urgente o anúncio do Reino de Deus, do sentido e destino da criação e da vocação à vida em comunhão, através de testemunho, diálogo e compromisso com a preservação das fontes da vida e promoção do direito humano ao alimento e à nutrição. Grande desafio, a motivação e formação da juventude para levantar e a caminhar em busca de uma terra livre dos males da miséria e da fome.  A sociedade que cultiva a justiça e partilha o pão através de uma economia solidária, não convive com famintos e necessitados. 
No Brasil, além das condições e recursos necessários, dispomos de precioso instrumento para atingir o compromisso com a superação do quadro vergonhoso da exclusão social e dos males da fome. Refiro-me à Lei Federal 11.947/2009, que dispõe sobre o Programa de Alimentação Escolar, por sinal, a melhor contribuição do Governo Lula para os objetivos da “Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida”. Uma expressão que brotou do coração inteligente do saudoso Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, em reunião do Movimento pela Ética na Política, após o impeachment do presidente Collor (1992).
Naquela ocasião, a concentração de renda e o quadro escandaloso de famintos (32.000.000), resultantes do modelo de desenvolvimento imposto ao país pelo Golpe de Estado (1964), foram apontados como as formas mais perversas de corrupção em nosso país.
Sem dúvida, graças à ação da família, da sociedade e dos governos, houve avanço significativo na redução da miséria e dos males da fome através de iniciativas solidárias e de programas de assistência social, tais como Bolsa Família; contudo, não se deve ignorar, que a insegurança alimentar e nutricional, segundo dados oficiais do próprio governo, paira sobre milhões de lares brasileiros. O problema é maior e mais sério do que se admite, por causa de alimentação insuficiente e/ou inadequada e pelo grau de envenenamento dos alimentos.
Quase se foi o primeiro ano dos novos mandatários. Nesta etapa, devem prevalecer competência e compromisso. Em 1963, por ocasião do 1º Congresso Mundial do Alimento, o Presidente John Fitzgerald Kennedy afirmava: “Temos os meios e recursos para eliminar a fome da face da terra. Só nos falta vontade”!
Começando com as religiões, quem não tiver pecado, atire a primeira pedra! A crise que atravessamos é mais profunda e abrangente do que gostaríamos de imaginar. Parafraseando o profeta Jeremias (c14), a violência corre solta no campo, a miséria e a fome torturam a cidade. Até os sacerdotes, pastores e levitas, como baratas tontas, perambulam sem entender o que está acontecendo.
Trata-se de uma crise provocada pelo esgotamento de nossa civilização. Vivemos em sociedades excludentes e abortivas! Degradação ambiental, violência, autoritarismo, machismo, são marcas características de uma civilização guerreira e destruidora da vida.
A nova lei que dispõe sobre a alimentação escolar, embora mutilada, aponta o caminho de transformação dessa realidade iníqua e blasfema através de um novo projeto de desenvolvimento em que educação, de um lado, e, do outro, produção, processamento, preparo e consumo de alimentos saudáveis, adequados e solidários, a partir de cada micro região ou bacia, serão os principais instrumentos para combater o êxodo rural, a exclusão social e os males da miséria e da fome. Pensar e planejar o desenvolvimento do país debaixo para cima e de maneira descentralizada
Tratando-se de uma Política de Estado, bem que, até 2025, poderíamos planejar o surgimento de um Brasil justo, solidário, saudável e inteligente, como exigência da democracia, de per si incompatível com miséria e fome.
Nossas crianças e famílias merecem um projeto econômico de produção e consumo de alimentos saudáveis, adequados e solidários, ou seja, uma nova ordem econômica com mercado justo e solidário que não transforme alimento em moeda.
A partir da nova lei que dispõe sobre o programa de alimentação escolar, com recursos de fundo constitucional, moeda produzirá comida! O novo modelo de desenvolvimento vai exigir que outro seja o lastro da Balança Comercial. Jamais, o alimento!
Segundo expressão popular, saco vazio não para em pé. Criança faminta não cresce em sabedoria. Esfrega a carteira escolar percorrendo com o olhar o espaço vazio de sonhos e de festas. Não há modernidade que resista à fome de uma criança.
Sentir fome é um processo saudável quando se tem acesso à comida de boa qualidade e abundante.
Para que a criança possa efetivamente se educar precisa de carinho da família, de um lugar em volta da mesa e de uma casa que lhe ofereça privacidade e salubridade.
E a escola que a acolhe? Até hoje contemplo com orgulho o grupo escolar que me acolheu na minha infância e me lembro com profundo respeito das nossas professoras. Assim como a igreja de minha terra, o grupo escolar era para mim o templo da sabedoria. Quase uma igreja!
Com votos e preces de Paz e Bem, caminhemos a fim de que nenhuma criança morra criança por causa da miséria e dos males da fome (Isaías 65).


Dom Mauro Morelli
Bispo Católico e Peregrino
Fundador e diretor geral do Instituto Harpia Harpyia
Presidente do CONSEA- MG

Fonte: http://mauromorelli.blogspot.com/2011/10/dia-mundial-da-alimentacao-16102011.html